sábado, 8 de mayo de 2010

UNAM

Hoje passei o dia no campus central da UNAM – Universidade Nacional Autônoma do México. Conhece?? Pois eu nunca tinha ouvido falar, mas é a maior da América Latina, considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, tem quase 300 mil estudantes e uma área de 730 hectares (mais de mil campos de futebol). Aliás, um dos três estádios da cidade fica dentro do complexo que não leva o nome de "Cidade Universitária" à toa: tem tudo! Além dos prédios das faculdades, obviamente, tem cinemas, bares, teatros, restaurantes, bancos e tudo mais que tu possas imaginar. Ah, e 11 linhas de ônibus internas gratuitas!

Pois fui pra lá na manhã com um intuito claro. Havia visto dias antes um cartaz anunciando que a orquestra sinfônica da UNAM apresentaria Carmina Burana, mas para desespero deste pobre pinche brasileño, os ingressos iam de R$ 25 a R$ 50. Solução: ir ao ensaio final aberto gratuitamente ao público. Pois sabe que foi melhor que ir ao concerto propriamente? Pra mim que sou músico amador, foi muito bom ver um maestro trabalhando de fato, explicando aos músicos as sutilezas de uma peça e os porquês da sua dinâmica.

Depois disso, um almoço baratésimo no RU da Faculdade de Filosofia e Letras, uma relaxada no gramado em frente á biblioteca, internet boa e gratuita nos laboratórios pra checar os emails e no início da noite um bom filme no cinema por R$ 2.

Em que pese o fato de a limpeza geral não condizer com o nível da instituição, o clima em si do lugar é muito bom, cheio de áreas verdes e com um ambiente até bem internacional. Acho que vou gostar de estudar aqui...

viernes, 7 de mayo de 2010

O Lugar Onde Foram Feitos os Deuses

O primeiro lugar que um turista precisa visitar próximo ao D.F. é Teotihuacán, uma cidade que foi habitada de 150 dC a 700 dC, chegou a contar com 200 mil habitantes e hoje é patrimonio da humanidade. Mesmo depois de ter sido abandonada (e há muitas teorias sobre a razao de isso ter ocorrido) continuou sendo um centro religioso para todas os povos que dominaram a regiao em diferentes períodos. Chamam a atençao as gigantestas Piramides da Lua e do Sol (62 m de altura) e a perfeiçao das linhas e simetria dos prédios.

A Piramide do Sol (repare no tamanho das pessoas em cima)


Nosso guia gente finíssima, fa de Elis Regina e feliz proprietário de um Pointer 2.0 brasileiro



Piramide da lua

Vista da cidade a partir do início da Calle de los Muertos

jueves, 6 de mayo de 2010

Pequenas Diferenças, Grandes Problemas

Hoje fui fazer meu exame de nível e fazer minha inscriçao no curso de espanhol. Fiquei surpreso com o resultado: entrei no intermédio 3, o sétimo nível dos oito oferecidos no CEPE – Centro de Ensino para Estrangeiros da UNAM. Deduzo que a explicação disso, primeiramente, vem do fato da minha língua materna ser a portuguesa e da sua semelhança com o castelhano; depois, das parcas aulas intensivas que tive há quatro anos quando atendia clientes da América Central e México; e, por fim, das práticas que tive com amigos que falavam espanhol enquanto morava na Hungria no ano passado. Mas a despeito de que possa parecer muito fácil o tal espanhol pra lusófonos, aí vai um alerta de quem já sentiu na pele os apuros que essa impressão pode trazer: não é!

Claro que pra brasileiros é mais simples aprender espanhol que qualquer outra língua no mundo – enquanto que a recíproca, por incrível que pareça, não é verdadeira –, mas exatamente a similaridade dos dois idiomas é que esconde uma série de armadilhas que fazem do seu aprendizado um prazeroso desafio.

Pra começar, os erroneamente chamados “falsos cognatos” são muitos! Primeiro, o clássico: embarazada (lê-se embaraçada) não é uma menina com vergonha, mas uma grávida. Todavia é ainda; cena é janta; polvo é pó; rato é momento. Alguém que te pergunta se ¿estás formado? não quer saber tua graduação, quer saber se você está na fila. E deduzir também é um exercício perigoso: quedar não é cair, é ficar; taller não é talher, é atelier; regalar não é arregalar, é dar. E por aí vai...

Depois vem a diferença cultural que cai sobre a língua: experimente ir a um supermercado mexicano e pedir por “durex”. Certamente vão te indicar a área de fármacos ou pra pedir na boca do caixa, isso porque o sinônimo de fita adesiva brasileira, no México, é a mais popular marca de preservativo. Por falar nisso, por aqui quem está com a Sida não anda na companhia de uma senhora, tem AIDS.

Por fim, a pronúncia. A letra erre, por exemplo, tem som real de erre - aquele de locutor de rádio: “Rrrrrronaldinho” -, e o som do nosso erre brasileiro é grafado usando as letras ge e jota. Então existem dois verbos: o correr (andar rápido) e o coger (que, traduzindo, é “pegar”, mas na gíria significa “transar”). Aí imagine um brasileiro com seu sotaque característico gritando pra um amigo mexicano “vamos correr para tomar el autobus”. Gargalhada certa!

Contudo, antes de me forçar no aprendizado do espanhol, achava tal língua monótona e insípida. Porém, depois de começar a me aventurar no idioma de Cervantes, Marques e Galeano, não entendo meu passado e só posso me arrepender de não tê-lo iniciado antes. Hoje, acho que todo brasileiro tem quase que o dever de saber pelo menos o básico dessa que é a terceira língua mais falada no mundo, seja pela importância como ferramenta de comunicação ou pela mera sutil beleza de seus detalhes.

miércoles, 5 de mayo de 2010

Tianguis

Assim como existem as feiras paulistanas em determinados dias da semana, o equivalente chilango sao os Tianguis. Foi legal de ir pra ver as coisas pitorescas e como os vendedores ganham os clientes no gogó.

Esse troço mais à direita é pele de porco frita, o tataravo do nosso Baconzitos


Tamarindo in natura

Cactus usado em sopas e saladas

Repara no chapéu da senhora aí

martes, 4 de mayo de 2010

Estudiando Español

Enfim fui tomar providências pra levar a cabo um dos meus principais objetivos no México: estudar espanhol. Com isso em mente, parti para a UNAM (falo sobre ela mais tarde) a fim de me informar sobre possibilidades, cursos e certificações. A sequência de vantagens foi tão grande que nem cheguei a pensar na possibilidade de cogitar outro lugar pra estudar: pra começar, o lugar fica a 40 minutos de onde estou morando, o que pra uma cidade desse tamanho, é muito bom; as datas do curso coincidiram enormemente com minha intenção de permanência; o valor me pareceu bastante razoável (uns R$ 700 por um intensivo diário de 3 horas); a estrutura e corpo docente do lugar são excelentes (tanto que os livros usados são publicados lá mesmo); e, de lambuja, ao se matricular tu tem direito a cursos facultativos de cultura mexicana (história, arte e até dança!).

domingo, 2 de mayo de 2010

Básico

Cada cidade tem certos lugares que todo visitante precisa conhecer e aqui nao é exceçao. O must to é andar pelo Paseo de la Reforma, que é o equivalente chilango a caminhar pela Av. Paulista quando em SP (desculpas pela repetida comparaçao, mas é inevitável). A diferença é que aqui aqui a rua é tomada de verde, muito limpa e bem cuidada, e realmente tem coisas pra se ver e fazer. Além dos monumentos que sao símbolos da cidade, durante os fins de semana sempre há algum evento ocorrendo e o transito fica exclusivo pra pedestres e ciclistas. Aliás, um projeto muito legal que há aqui pra fomentar esse meio de transporte é o empréstimo (nao aluguel como na Europa) de bicicletas pra populaçao. Contudo optei por dessa vez nao fazer uso disso pois queria ver tudo com calma e tirar fotos, quem sabe na proxima.


No fim da avenida começa um dos principais bosques da cidade, o Chapultepec (que quer dizer "monte do gafanhoto" em nahuatl) e, dentro dele, o Castillo que hoje é o Museu Nacional de História.
Cansado, encerrei a volta comendo os verdadeiros churros da D. Florinda.

sábado, 1 de mayo de 2010

O Lugar Onde Se Vende Alegria

O Distrito Federal, ou simplesmente D. F. – que é como os mexicanos chamam o que o resto do mundo conhece por Cidade do México – é um aglomerado de 16 delegações. Quer dizer, quando decidiram criar um centro pra federaçao, elegeram uma área de 20 léguas de raio a partir do centro do que era a capital dos Astecas (o Zócalo) e definiram que as entao chamadas colonias dentro dessa área constituiriam a capital dos Estados Unidos Mexicanos.

A maior delas, Tlalpan, é o lugar onde estou morando. Mas maior não significa mais agitada, pelo contrário: de todas as áreas, dizem que essa é uma das mais calmas e seguras. A uma quadra de onde estou fica a praça do centro da delegação onde todo fim de semana tem uma feira de alguma coisa; neste, por exemplo, tinha uma feira infantil (o dia das crianças aqui é 30 de abril). Perto dali, o mercado público local com todas as coisas pitorescas, de pichorras a gafanhotos (chapolines) fritos.

As vielas muito estreitas não permitem a passagem de mais de um carro por vez e as calçadas, por vezes, sequer existem. Vendedores de toda sorte de coisas te acordam de manhã cedo anunciando seus produtos aos gritos enquanto caminham pelas ruas: gás, frutas, picolé... Mas um produto me despertou curiosidade pois nao havia como entender claramente o que o ambulante estava oferecendo, até que fui obrigado a parar um deles pra perguntar: ele estava vendendo "alegria", um tradicional doce mexicano feito de amaranto e mel.


Ramirez, o vendedor de alegria